Cartilha elaborada em curso de mestrado da UFLA aborda questões relacionadas à saúde mental do trabalhador

No ano de 2019, a servidora da Universidade Federal de Lavras, Thaís Emmanuelle Mesquita Hermes Faria, por meio do Núcleo de Saúde Mental/Coordenadoria de Saúde – PRAEC, produziu uma cartilha abordando a temática dasaúde mental no trabalho, a partir de uma pesquisa realizada por ela junto ao Programa de Mestrado Profissional em Administração Pública da UFLA.

Conforme texto introdutório, a publicação trata-se de um produto técnico de pesquisa destinado a conscientizar gestores e Técnicos Administrativos (TAEs) de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), na perspectiva de “contribuir para a melhoria da saúde mental dotrabalhador”. Ainda, segundo a proposta do trabalho, “espera-se que este produto auxilie na compreensão do tema e subsidie medidas setoriais que amenizem fatores que contribuem como adoecimento psíquico no trabalho”.

Para conhecer mais sobre a proposta contida na cartilha, o Informativo do Sind-UFLA ouviu a autora do trabalho, a servidora
TAE Thaís Emmanuelle Mesquita Hermes Faria, enfermeira, que atuana Coordenadoria de Saúde da PRAEC/UFLA. Thaís, que tem vasta experiência na área de saúde, é também técnica de enfermagem, especialista em Saúde do Trabalhador e mestre em Administração Pública.

 

MOTIVAÇÃO DA CARTILHA

 

Thaís salientou que, antes mesmo de ser selecionada para o mestrado, já pensava em abordar o tema saúde do trabalhador, pois como profissional de saúde percebia que o assunto não é explorado no ambiente de trabalho e que a maior parte dos estudos nas IFES são voltados para discentes e docentes, desconsiderando o servidor TAE.

Assim, na perspectiva proposta no mestrado e posteriormente, na cartilha, o seu objetivo é de conscientizar gestores públicos e servidores TAEs de IFES, além de popularizar o tema, informa a pesquisadora.

“Acredito que a cartilha pode auxiliar e subsidiar medidas institucionais e/ou setoriais, pois ela traz informações relevantes sobre o assunto”.

Ressalta, ainda, que a cartilha produzida é de um produto técnico de pesquisa, elaborado a partir de uma articulação de políticas públicas de saúde mental do trabalhador, de contribuições teórico-metodológicas e da percepção de TAEs quanto ao tema.

 

Entretanto, Thaís lembra que a cartilha “não é capaz de diagnosticar ou denunciar o que provoca sofrimento mental em uma instituição”. Para que isto ocorra, é necessário comprovação diagnóstica e estabelecimento de relação entre o sofrimento mental e o trabalho, como também a implantação de procedimentos para avaliar os agravos e as condições do ambiente, afirma a pesquisadora.

 

A UNIVERSIDADE E A SAÚDE DO TRABALHADOR

 

Questionada sobre a percepção da administração da UFLA sobre a temática da saúde mental do trabalhador, Thaís disse que não pode falar pela universidade, mas que, como pesquisadora, indica que existem diretrizes legais e abordagens teórico-metodológicas que podem auxiliar gestores e servidores na investigação e na intervenção em ambientes conflituosos e  propiciadores de sofrimento. Avalia, porém, que no local em que o estudo foi realizado não foram evidenciadas ações neste sentido, o que revela que há muito para se fazer referente a esses cuidados.

 

A pesquisadora ressalta a importância da sensibilização dos gestores públicos para que invistam na prevenção e na gestão de conflitos na organização, buscando construir um ambiente sadio para seus trabalhadores. “As intervenções, muitas vezes, não são concebidas porque os custos dos conflitos estão ocultos e/ou não são medidos”, informa Thaís.“Isto não impede que os mesmos sejam reais, impactando negativamente em todo o ambiente de trabalho”. Ela enfatiza, ainda, a necessidade de que as investigações sejam feitas por uma equipe multidisciplinar especializada em saúde ocupacional.

 

O TAE E AS DIFICULDADES DE PUBLICAÇÃO

 

Thaís avalia que uma das maiores dificuldades para os servidores TAE publicarem seus trabalhos está relacionada à ausência de tempo para maior dedicação aos estudos. Para ela, embora o TAE seja uma parcela da comunidade acadêmica e o ambiente universitário ser bastante favorável para auxiliar na sua formação, o trabalho técnico-administrativo exige que essa categoria assuma tarefas diversas, revelando um contexto de sobrecarga. “Para mim, a maior dificuldade é conciliar o trabalho, com a vida acadêmica e ainda ter de ser esposa, mãe etc.”, finaliza Thaís.


Disponível em <https://sindufla.org.br/2022/05/17/dia-internacional-da-luta-contra-a-lgbtfobia/> Acesso: 23/05/2022 às 08:16